Segundo estudo, o 1º beijo é uma das experiências mais lembradas

Publicado por: - há quase 8 anos
O da estudante de jornalismo Ana Flávia Durso foi “meio robótico”, mas “valeu a pena”. O de George Queiroz, empresário, representou o início da adolescência, apesar de tê-lo feito se sentir meio “bobão”. Já a servidora pública Josiane Moreira diz que o seu foi “coisa de menina”. Como a imensa maioria das pessoas, Ana, George e Josiane podem ter formas diferentes de descrever o primeiro beijo, mas não o esquecem. Segundo cientistas da Universidade do Texas, a experiência costuma se instalar como uma das memórias mais vivas que alguém carrega pelo resto da vida.

Já faz oito anos, mas Ana Flávia, 21, lembra bem de quando o colega “ruivinho” do curso de inglês a chamou para um canto e os dois começaram a conversar. “Uma hora, paramos um de frente para o outro e nos beijamos.” A estudante conta que agiu de maneira desengonçada e que nem os vários treinamentos com copo e gelo deram uma força. “Depois, me disseram que coloquei meus braços em volta do corpo dele de maneira errada, como quem está abraçando e não como quem está beijando. Ri muito disso”, recorda.

[FOTO2]Segundo Sheril Kirshenbaum, cientista que ajudou a conduzir o estudo e autora do livro The science of kissing, ainda não publicado no Brasil, a experiência é tão marcante que costuma ser mais lembrada até mesmo do que a primeira relação sexual. “Durante o primeiro beijo, estamos envolvidos com todos os nossos sentidos. Quanto mais significante e pessoal for a situação, mais fortes serão as nossas memórias”, afirma, em entrevista ao Correio. Na  pesquisa, Sheril analisou a corrente magnética dos cérebros de 60 homens e 70 mulheres enquanto elas eram expostas a diferentes imagens de pessoas se beijando e tendo relações sexuais. Como resultado, observou-se que, durante as cenas de beijo, as conexões das células nervosas do cérebro ocorriam em maior número, mostrando a maior importância para aquele tipo de experiência aos participantes do estudo.

Expectativas
Nem todos, porém, têm no primeiro beijo a memória mais importante de sua vida. A servidora Josiane, 26 anos, diz que precisa fazer um pequeno esforço para se lembrar de como ocorreu. Mesmo assim, a memória está lá: “Foi coisa de menina, durante uma brincadeira de verdade ou consequência (jogo comum entre adolescentes, no qual os participantes têm a opção de responder a uma pergunta ou realizar alguma tarefa determinada pelo grupo)”, conta. Para ela, o fato nem se compara com sua primeira vez com o marido, Valdinei Neres, 31. “Foi muito melhor. Um momento inesquecível”, derrete-se.

A explicação para o sentimento de Josiane pode estar na diferença como homens e mulheres lidam com a experiência. De acordo com Sheril, apesar de todos guardarem vivo na memória o primeiro beijo, diz que há uma diferença na forma como homens e mulheres costumam se relacionar com a experiência. “As mulheres, quase sempre, obtêm menos satisfação porque esperam muito do momento”, diz a cientista.

George Queiroz, 25 anos, conta que, de fato, sua experiência foi uma surpresa. Durante o intervalo das aulas na escola, ele e uma amiga entraram em uma das salas da escola onde estudavam e, para sua surpresa, o beijo aconteceu. Ela era mais velha que ele, e George, então com 14 anos, sentiu-se meio atrapalhado, ou, nas suas palavras, “bobão”. O fato de ser inesperado, porém, não tirou o significado do beijo. “Foi o começo de um breve relacionamento que retirou uma parte significativa da minha ingenuidade infantil e iniciou minha adolescência. Certamente, foi após aquele primeiro beijo que eu notei que não era mais criança”, diz.

Segundo o mestre em comportamento cognitivo Thiago de Almeida, George tem razão quando enxerga o momento vivido com a colega de escola com a entrada na adolescência. “Trata-se do primeiro contato de intimidade com outra pessoa e pode trazer muita apreensão e expectativa nas fases que o antecedem”, afirma o autor do livro A arte da paquera: inspirações à realização afetiva (Letras do Brasil). “Isso tudo pode ser muito fantasiado, principalmente por influências da mídia. Parece ser fácil na televisão, mas na vida real tem uma dose de dificuldade para o adolescente e representa um ritual de passagem e um marco evolutivo psicológico”, conclui.

E o excesso de cenas de sexo na televisão ou mesmo pela internet não poderia tirar das novas gerações um pouco da magia desse momento tão marcante? Para a autora do estudo, isso não deve ocorrer. “Eu não acho que isso esteja sendo perdido. Um beijo entre duas pessoas cria uma conexão especial e fortalece o laço entre elas. É tão significativo hoje quanto tem sido ao longo da história”, acredita Sheril Kirshenbaum.

Fonte: Correio Braziliense

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