Mais de 150 profissionais de saúde já morreram de Covid-19 em SP

Publicado por: - 15 dias

“Trabalho na área da saúde há 20 anos e nunca vivi algo como essa pandemia. Viver tudo isso é muito triste. Por ser do interior, achava que jamais teria acesso a este campo de guerra. Hoje, vivenciamos uma realidade que há um ano parecia muito distante.”

O desabafo é da enfermeira Gislaine Vergilio Pontes Terenciani, de 39 anos, que trabalha em um hospital privado na cidade de Bauru. Há 40 dias, ela faz parte do contingente de médicos e enfermeiros que já foram contaminados pela Covid-19 no Estado. Um número que engloba 165 médicos ou profissionais de enfermagem, que perderam a vida na guerra contra a doença.

Segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM), desde 22 de março de 2020, quando foi divulgada a primeira morte de um médico brasileiro por coronavírus, 624 médicos já perderam a batalha para a doença no Brasil, sendo 70 somente no estado de São Paulo.

No que diz respeito aos profissionais de enfermagem, dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) mostram que 689 profissionais morreram vítimas da Covid-19. São Paulo responde por 95 destes óbitos, sendo o estado mais letal para a categoria.

“A falta e insuficiência de equipamentos de proteção individuais (EPIs) sem dúvida contribuiu para as mortes, sobretudo entre maio e setembro de 2020. A ausência inicial de protocolos eficazes de biossegurança, insuficiência de treinamento das equipes e sobrecarga de trabalho também são fatores que aumentam os riscos para os profissionais de enfermagem”, disse por meio de nota o Cofen.

“Foi a pior sensação que vivi”
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, um total de 24,6 mil médicos e enfermeiros já foram contaminados pela Covid-19 nos municípios paulistas. Gislaine se contaminou em fevereiro.

“Iniciei com constipação nasal e cefaleia. Depois, começou a rouquidão, febre e dor no corpo. Senti muita fraqueza muscular, meus braços e minhas pernas pareciam não fazer parte do meu corpo e andar um quarteirão era o maior sacrifício. Ao ser examinada fui encaminhada direto para internação. Realizei tomografia e constataram que 50% do meu pulmão estava comprometido. Me ver como paciente e sabendo da realidade foi muito desesperador. Foi a pior sensação que vivi.”

A enfermeira precisou de oxigênio e teve alta três dias após ser internada. Ela desenvolveu síndrome do pânico e foi transferida de setor. Hoje, ela trabalha na área de gerenciamento de leitos do hospital.

Fonte: Gazeta de S. Paulo

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