FUNDAMENTOS DE ENFERMAGEM: Exame do Aparelho Cardiovascular

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O aparelho cardiovascular é formado por um órgão propulsor de sangue, coração, e uma rede vascular de distribuição. Excitados periodicamente, os músculos do coração se contraem impulsionando o sangue através dos vasos a todas as partes do corpo. Os vasos condutores do sangue para fora do coração são as artérias. Estas ramificam-se tornando-se progressivamente de menor calibre terminando em diminutos vasos denominados arteriolas. A partir destes vasos o sangue é capaz de realizar suas funções de nutrição e absorção atravessando uma rede de vasos denominados capilares de paredes muito finas e permeáveis a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos. Dos capilares o sangue é coletado em vênulas que progressivamente coalescem em veias de diametros progressivamente maiores alcançando novamente o coração. Esta passagem do sangue através do coração e dos vasos sanguíneos é chamada de circulação do sangue (GEORGE,2000).

 

É necessário conhecer a projeção do coração e os grandes vasos da base na parede torácica (GEORGE,2000).

· Borda direita – Veia cava superior e o átrio direito (borda esternal direita).

· Borda esquerda – Artéria aorta artéria pulmonar e ventrículo esquerdo (borda esternal esquerda).

Realiza-se a inspeção e palpação simultaneamente. O cliente deve estar em decúbito dorsal elevado a 30º e o examinador do lado direito ou esquerdo. Investigam-se:

· Abaulamentos, depressões ou achatamentos pré-cordiais (olhando de maneira tangencial e frontal).

· Análise do ictus cordis ou choque da ponta ou ponto de impulso máximo (PIM) ou ponto apical. Varia de acordo com o biótipo, localiza-se no cruzamento da linha média clavicular esquerda com o 4º. ou 5º. espaço intercostal. Consiste em um impulso normal, periódico e circunscrito, sentido como uma pulsação suave de 1 a 2 cm de diâmetro. Este pode alterar sua localização em estado patológicos e fisiológicos. Os fisiológicos são:

- normolíneos – 4º espaço intercostal esquerdo, 6 a 10 cm da linha médio esternal.

- brevelíneos – 4º espaço intercostal esquerdo, a mais de 8 cm da linha médio esternal.

- longilíneos – 5º espaço intercostal esquerdo, a menos de 8 cm da linha médio esternal.

Nas patologias pode estar desviado ou ausentes. Em deformidades da caixa torácica, derrames pleurais ou pericárdicos e tumores (HORTA,1979).

· Pulsações epigástricas – podem ser vistas ou palpadas, correspondendo à transmissão na parede abdominal das pulsações aórticas. Problemas: quando estas pulsações forem intensas, por hipertrofia ventricular direita.

· Pulsações supra esternal ou na fúrcula esternal – podem aparecer e dependem das pulsações na croça da aorta. Problema: quando estas aparecem intensas por hipertensão arterial,aneurisma aórtico, insuficiência aórtica, hipertireoidismo.

Ausculta

Pode ser realizada com o cliente em várias posições: deitada, em decúbito lateral, sentado ou em pé. Os focos de ausculta são:

· Mitral (FM) – localiza-se na sede do ictus cordis.

· Aórtico (FAo) – localiza-se no 2º espaço intercostal direito na linha paraesternal.

· Aórtico acessório (FAA) – localiza-se no 3º espaço intercostal esquerdo na linha paraesternal (ponto ERB).

· Pulmonar (FP) – localiza-se no 2º espaço intercostal esquerdo na linha paraesternal.

· Tricúspide (FT) – localiza-se na base do apêndice xifóide.

A ausculta cardíaca começa no foco apical e vai ao longo da borda esternal esquerda até o foco aórtico e pulmonar. Após, coloca-se o cliente em decúbito lateral esquerdo e ausculta o foco mitral à procura de sopro ou ritmo trípices(PORTO,2000). Devemos observar:

- Ritmo: Classificando-o em regular ou irregular.

- Freqüência – número de batimentos cardíacos em 1 minutos.

OBS.: É importante a contagem simultânea do pulso apical (ictus cordis) e do pulso radial, pois em determinadas patologias poderá haver variação de um pulso para o outro.

- Bulhas cardíacas

· 1ª. Bulba (B1) – Corresponde ao fechamento das valvas mitral e tricúspide. Melhor ouvida no ictus cordis (ápice cardíaco).

· 2ª. Bulba (B2) – Corresponde ao fechamento das valvas aórtica e pulmonar, timbre mais agudo, duração menor que a 1ª. Bulba (melhor ouvida nos focos aórtico e pulmonar – base do coração).

- Arritmias cardíacas – é quando há alteração no ritmo, freqüência ou ambos.

Oxigenoterapia

É a administração de O2 a uma pressão maior que a encontrada na atmosfera ambiental quando há uma interferência com a oxigenação normal (PORTO,2000).

Materiais: bandeja, cateter nasal ou máscara facial, látex, umidificados, luvas de procedimento, gaze, esparadrapo, tesoura, abaixador de língua.

Método:

· Explicar ao paciente sobre o cuidado.

· Lavar as mãos.

· Organizar o material.

· Colocar o paciente em posição de Fowler

· Calçar as luvas.

· Unir o cateter ou a máscara ao látex e este ao umidificador.

· Medir, com o cateter, a distância entre a ponta do nariz e o lóbulo da orelha, marcando com esparadrapo, para determinar quanto o cateter deve ser introduzido.

· Abrir o fluxômetro e deixar fluir um pouco de oxigênio para evitar acidentes por saída intempestiva de oxigênio.

· Hiperestender (para trás) a cabeça do cliente e introduzir o cateter pelo assoalho de uma das narinas, até o ponto marcado. Ou adaptar a máscara à face do cliente e fixar com cadarço.

· No caso do cateter nasal, observar a posição deste através da boca do cliente – o extremo do cateter deve aparecer atrás da úvula: se ultrapassar o cavum, poderá haver náuseas, vômitos e perderá sua finalidade, pois o ar irá para o esôfago.

· Retirar as luvas.

· Fixar o cateter nasal com esparadrapo sobre o nariz ou a face do cliente.

· Regular o fluxo de oxigênio até a quantidade prescrita.

· Deixar o cliente confortável e o ambiente em ordem.

· Lavar as mãos.

· Anotar o cuidado prestado.

Conclusão

Sendo assim, torna-se de fundamental importância para enfermeiros e outros profissionais de saúde, saber como reage o sistema cardiovascular em resposta ao esforco físico e hábitos alimentares dos pacientes, analisando-se os ruídos produzidos por esse sistema, tais como as bulhas, seus ritmos, freqüência dos sons produzidos, assim como os métodos para realização do exame.

Referências

GEORGE, Júlia B.(cols.). Teorias de Enfermagem: Fundamentos da Prática Profissional. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.

HORTA, Wanda de Aguiar. Processo de Enfermagem. Ribeirão Preto: Pedagógica, 1979

PORTO, C. C – Semiologia Médica. 4ª ed, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2000.

TAGS: exame físico Exame do Aparelho Cardiovascular

Comentários (4)

jessica aparecida alves de souza moreira
jessica aparecida alves de souza moreira Criado em 08/11/2013, 19:28h

Oi td bem? sou estudante de Enfermagem e queria saber como posso aprender um pouco. gosto muito dessa área cardiovascular será que teria um supervisor um profissional da área para me ensinar muito obrigada pela atenção.


Milena Manuel Bassiquete
Milena Manuel Bassiquete Criado em 13/11/2013, 11:23h

Eu gostaria de aperfeicoar mais o exame fisico geral ,sou estudante de enfermagem e tehno dificuldade em fazer exame fisico.


giselepereiramelo
giselepereiramelo Criado em 28/03/2015, 17:11h

Sou estudante de enfermagem e tenho dificuldade como fazer o exame físico do paciente cardiovascular gostaria de uma explicação mas aprimorada.


giselepereiramelo
giselepereiramelo Criado em 28/03/2015, 17:12h

Como fazer um exame físico do paciente?


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