PRIMEIROS SOCORROS: Parada Cardiorrespiratória (PCR)

Publicado por: - há 5 meses

SUPORTE BÁSICO DE VIDA (SBV) EM PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR)

PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR)

◦ É a interrupção da circulação sanguínea em consequência da interrupção súbita e inesperada dos batimentos cardíacos.
◦ É o momento em que cessam os batimentos cardíacos e a pessoa para de respirar. Com isso, a circulação sanguínea sofre uma parada e o indivíduo perde a consciência dentro de dez a quinze segundos.

▪Em 10 a 15 segundos – Perda de consciência.
▪Entre 3 e 10 minutos – Lesão cerebral.
▪Depois de 10 minutos – Ressuscitação quase zero.

PARÂMETROS NO DIAGNÓSTICO DA PCR
❖Ausência de pulso em uma grande artéria (pulso central) – Verificamos a artéria carótida (pulso carotídeo) em adultos;
❖Paciente em apneia ou apresentando movimentos respiratórios agonizantes (gasping);
❖O mecanismo causal da PCR, do ponto de vista eletrocardiógrafo só será descoberto com a observação do registro de Eletrocardiograma - ECG.

5 situações que “autoriza” o socorrista a não iniciar a RCP:

• Decapitação;
• Carbonização;
• Evisceração;
• Decomposição;
• Rigor Mortis (Rigidez cadavérica).

ALGUMAS CAUSAS DA PCR

◦ Desidratação;
◦ Hemorragias;
◦ Acidentes (traumas);
◦ Doenças cardíacas - infarto agudo do miocárdio;
◦ Drogas (cocaína);
◦ Afogamento;
◦ Obstrução de vias aéreas e doenças pulmonares, etc.

*choque hipovolêmico

A principal causa de PCR no adulto é a doença coronariana com o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), sendo 90% dos ritmos iniciais de PCR no adulto representados por Fibrilação Ventricular - FV/ Taquicardia Ventricular - TV.

PCR: EPIDEMIOLOGIA

No Brasil: cerca de 200.000 PCR por ano.

❖Metade dos casos em hospitais;
❖A outra metade, extra-hospitalar: casas, shoppings, aeroportos, estádios, etc.

RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR (RCP)

O atendimento da situação de parada cardiorrespiratória (PCR) é a Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP): que compreende uma sequência de manobras e procedimentos destinados a manter a circulação cerebral e cardíaca e garantir a sobrevida do paciente.

* Diretrizes da American Heart Association (AHA) - Guidelines - 2015

RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR (RCP):

SUPORTE BÁSICO DE VIDA (SBV)

• O suporte básico de vida (SBV) define a sequência primária de ações para salvar vidas.
• Por mais adequado e eficiente que seja um suporte avançado (SAV), se o SBV não for adequado, será muito baixa a chance de sobrevivência da vítima de PCR.
• Os minutos iniciais de atendimento a uma PCR são críticos em relação à sobrevivência da vítima.
• A cada minuto transcorrido do início da PCR, sem compressões torácicas/desfibrilação, as chances de sobrevivência diminuem em 7% a 10%.

A sequência recomendada para um único socorrista:

◦ Iniciar as compressões torácicas antes de aplicar as ventilações de resgate (C-A-B), para reduzir o tempo até a primeira compressão.
◦ O único socorrista deve iniciar a RCP com 30 compressões torácicas seguidas por 2 respirações.

ELOS DO SUPORTE BÁSICO DE VIDA – (SBV)

◦ 1º Elo – Reconhecer a PCR e chamar a emergência;
◦ 2º Elo – Iniciar a RCP – Enfatizando as compressões torácicas;
◦ 3º Elo – Desfibrilar, caso necessário;
◦ 4º Elo – Entubação Orotraqueal e Administração de drogas;
◦ 5º Elo – Cuidados pós PCR.

OBS:

1º, 2º e 3º Elo – Suporte Básico de Vida - SBV
4º e 5º Elo – Suporte Avançado de Vida - SAV

RESSUSCITAÇÃO CARDIOPULMONAR (RCP):

SUPORTE BÁSICO DE VIDA (SBV)

◦ Em uma PCR, um mnemônico pode ser usado para lembrar os passos do SBV - “CABDE”:

❖C: Checar responsividade e a respiração da vítima, Checar o pulso da vítima, Compressões torácicas (30 compressões), Chamar por ajuda.

❖A: Abertura das vias aéreas.

❖B: Boa ventilação (2 ventilações) – 1 segundo cada.

❖D: Desfibrilação e Avaliação Neurológica.

❖E: Exposição.

SBV: SEQUÊNCIA COMPLETA

AVALIE A RESPONSIVIDADE E A RESPIRAÇÃO DA VÍTIMA

• Avalie a responsividade da vítima, chamando-a e tocando-a pelos ombros.
• Se a vítima responder, apresente-se e converse com ela perguntando se precisa de ajuda (fique ao seu lado e aguarde para ver sua evolução e, caso seja necessário, chame ajuda).
• Se a vítima não responder ou estiver somente com “gasping”, avalie sua respiração, observando se há elevação do tórax, em menos de 10 segundos, chame ajuda imediatamente.

CHEQUE O PULSO

*Cheque o pulso carotídeo [pulso central] da vítima em <10 segundos.

• COM PULSO: Caso haja pulso, faça 1 ventilação a cada 6 seg (10 ventilações por minuto) e cheque o pulso a cada 2 minutos.

• SEM PULSO: Se não houver pulso ou houver dúvida, inicie os ciclos de compressões torácicas e ventilações.

INICIE AS COMPRESSÕES TORÁCICAS

◦ Posicione-se ao lado da vítima e mantenha seus joelhos distantes um do outro (estabilidade);
◦ Afaste ou corte a roupa que está sobre o tórax da vítima, para deixá-lo desnudo;
◦ Coloque a região hipotenar de uma mão sobre o esterno da vítima e a outra mão sobre a primeira, entrelaçando-a;
◦ Estenda os braços;
◦ Posicione-os cerca de 90º acima da vítima;
◦ Faça, no mínimo, 100 compressões/minuto e no máximo 120 compressões/minuto; ou;
◦ Inicie ciclos de 30 compressões para 2 ventilações, considerando que existe um dispositivo de barreira (por exemplo, máscara de bolso) para ventilar a vítima.
◦ Com profundidade de no mínimo 5 cm (2 polegadas) e no máximo 6 cm (2,4 polegadas); Ou seja, comprima rápido e forte!

COMPRESSÕES TORÁCICAS

◦ Permita o retorno completo (total) do tórax após cada compressão, sem retirar as mãos do tórax.
◦ Minimize interrupções das compressões torácicas.
◦ Reveze com outro socorrista a cada dois minutos (evita fadiga, mantém boas compressões).
◦ A realização imediata de RCP em uma vítima de PCR, ainda que apenas compressões torácicas no pré-hospitalar, aumenta as taxas de sobrevivência.
◦ Compressões torácicas efetivas e de qualidade, com frequência e profundidade adequadas são essenciais para promover o fluxo de sangue, devendo ser realizadas em todos os pacientes em parada cardíaca.
◦ O sucesso de uma desfibrilação depende da qualidade das compressões torácicas realizadas.

As manobras de RCP devem ser ininterruptas, exceto:

✓se a vítima se movimentar;
✓durante a fase de análise do desfibrilador;
✓na chegada da equipe de resgate;
✓no posicionamento de via aérea avançada ou;
✓exaustão do socorrista.

CHAME AJUDA

• Em ambiente extra-hospitalar, ligue para o serviço de emergência (SAMU - 192) ou (Bombeiros - 193);
• Se um Desfibrilador Externo Automático - DEA estiver disponível no local, vá buscá-lo;
• Se não estiver sozinho, peça para uma pessoa ligar e conseguir um DEA, enquanto continua o SBV;
• É importante designar pessoas para que sejam responsáveis em realizar essas funções;
• A pessoa que ligar para o Serviço de Emergência deve estar preparada para responder às perguntas (local do incidente, condições da vítima, tipo de primeiros socorros que está sendo realizado, etc.);

OBS: Realizar cinco ciclos de RCP e depois chamar ajuda, se estiver sozinho (socorrista).

SBV: ABERTURA DE VIAS AÉREAS

VENTILAÇÕES

◦ Independentemente da técnica usada para aplicar ventilações, será necessária a abertura de via aérea, que poderá ser realizada com a manobra da inclinação da cabeça e elevação do queixo (Chin lift) ou, se houver suspeita de trauma, a manobra de elevação do ângulo da mandíbula (Jaw thrust).
◦ Para não retardar as compressões torácicas, a abertura das vias aéreas deve ser feita somente depois de aplicar trinta compressões.

OBS: Ventilações devem ser feitas em uma proporção de 30 compressões para 2 ventilações (30/2), com apenas um segundo cada, ofertando a quantidade de ar suficiente para promover a elevação do tórax.

Para ventilar um paciente em PCR no SBV existem três formas:

➢Boca a boca;
➢Dispositivo Válvula Máscara (Pocket-Mask);
➢Dispositivo Bolsa-Válvula-Máscara (AMBU)

DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO - DEA

É um aparelho simples, bastante confiável e de fácil manuseio.
Equipamento portátil que interpreta ritmo cardíaco, seleciona carga.
Cabe ao operador apenas pressionar o botão de choque, se indicado.

*Desfibrilação = choque elétrico

Ritmos de Parada Cardiorrespiratória (PCR):

➢Assistolia;
➢Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP);
➢Fibrilação Ventricular (FV);
➢Taquicardia Ventricular (TV).

OBS:

*Em TODOS os 4 ritmos devemos manter as compressões torácicas.
*A desfibrilação é indicada APENAS em dois ritmos: FV e TV.

DESFIBRILAÇÃO

Passos para a utilização do DEA

◦ Ligue o aparelho apertando o botão ON-OFF (alguns ligam automaticamente ao abrir a tampa).
◦ Encaixe o conector das pás (eletrodos) ao aparelho [em alguns, já está conectado] e;
◦ Conecte as pás (eletrodos) no tórax da vítima, observando o desenho contido nas próprias pás, que mostra o posicionamento correto das mesmas.
◦ Quando o DEA disser “analisando o ritmo cardíaco, não toque no paciente” ou choque recomendado, afaste-se do paciente”, solicite que todos se afastem e veja se há alguém tocando na vítima (inclusive se houver outro socorrista).
◦ O socorrista que estiver manuseando o DEA deve solicitar que todos se afastem, ver se realmente não há ninguém (nem ele) tocando a vítima e, então,apertar o botão indicado para o choque.

Antes de conectar as pás (eletrodos) no tórax da vítima, observe:

➢Excesso de pelos no tórax:

• Remova o excesso de pelos, da região onde serão posicionadas as pás, com uma lâmina que geralmente está no Kit DEA.
• Outra alternativa é depilar a região com um esparadrapo ou com as pás e, depois, aplicar um segundo jogo de pás.

➢Tórax molhado: seque por completo o tórax da vítima.
➢Adesivo de medicamentos/hormonais: remova o adesivo se estiver no local onde será aplicada a pá.

DESFIBRILAÇÃO

• Um socorrista: parar RCP para conectar o DEA.
• >1 socorrista: enquanto o primeiro realiza RCP, o outro manuseia o DEA;nesse caso, só parar RCP quando o DEA emitir uma frase como:
“Analisando o ritmo cardíaco, não toque o paciente” ou “Choque recomendado, carregando, afaste-se da vítima”.

A RCP deve ser iniciada pelas compressões torácicas, imediatamente após o choque.

◦ A cada 2 minutos, o DEA analisará o ritmo e poderá indicar outro choque, se necessário.
◦ Se não indicar choque, imediatamente reinicie a RCP (enfatizando as compressões torácicas), caso a vítima não retome a consciência.
◦ Se a vítima retomar a consciência, o DEA não deve ser desligado e as pás não devem ser removidas ou desconectadas até que o Serviço Médico de Emergência (SME) assuma o caso.
◦ Se não houver suspeita de trauma e a vítima já apresentar respiração normal e pulso, colocá-la em posição de recuperação até que o SME chegue.

OS SOCORRISTAS DEVEM

Realizar compressões torácicas a uma frequência de 100 a 120/min
Comprimir a uma profundidade de pelo menos 2 polegadas (5cm)
Permitir o retorno do tórax após cada compressão
Minimizar as interrupções nas compressões
Ventilar adequadamente (2 respirações após 30 compressões, cada respiração administrada em 1 segundo, provocando elevação do tórax)

OS SOCORRISTAS NÃO DEVEM

Comprimir a uma frequência inferior a 100/min ou superior a 120/min
Comprimir a uma profundidade inferior a 5cm ou superior a 6cm
Apoiar-se sobre o tórax durante as compressões
Interromper as compressões por mais de 10 segundos
Aplicar ventilação excessiva (ou seja, uma quantidade excessiva de respirações ou respirações com força excessiva)

TAGS: parada cardíaca parada cardiorrespiratória

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