Mudanças no DSM-5

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Depressão

Como era: O diagnóstico do "transtorno depressivo maior", ou depressão, podia ser feito caso o paciente apresentasse ao menos cinco entre nove sintomas – como humor deprimido na maior parte do dia, perda ou ganho significativo de peso, problemas de sono e fadiga. No entanto, o DSM-IV contém uma norma em que exclui o diagnóstico caso os sintomas depressivos sejam apresentados por um paciente que está de luto. "Após a perda de um ente querido, mesmo que os sintomas depressivos tenham duração e número suficientes para satisfazerem os critérios para eu Episódio Depressivo Maior, eles devem ser atribuídos ao luto em vez da depressão, a menos que persistam por mais de dois meses", diz o texto do manual.

A mudança: No DSM-5, a exceção feita ao luto será retirada. Assim, uma pessoa que está de luto por ao menos duas semanas pode ser diagnosticada com depressão. No lugar da regra, haverá duas notas pedindo cautela aos médicos na hora de fazer o diagnóstico em casos como esse. O restante da descrição do transtorno depressivo maior será mantido.

Humor instável 

Como era: Depois da publicação do DSM-IV, em 1994, houve um aumento excessivo de diagnósticos de transtorno bipolar em crianças. Em 15 anos, esse número aumentou em cerca de 40 vezes, o que acabou criando uma "falsa epidemia" de bipolaridade entre pacientes infantis, segundo Allen Frances, presidente da comissão do DSM-IV. Muitas crianças que apresentavam humor instável foram diagnosticadas com a doença e medicadas com antipsicóticos mesmo sem corresponderem aos critérios para diagnóstico de transtorno bipolar.

A mudança: Os responsáveis pelo DSM-5 decidiram criar um novo diagnóstico para crianças que têm problemas em estabilizar o humor, mas que não são bipolares. Foi assim que surgiu o transtorno disruptivo de desregulação do humor, que inclui jovens de cinco a 18 anos de idade que apresentarem episódios frequentes (três vezes por semana e durante um ano ou mais) de irritabilidade e descontrole comportamental. A criação dessa desordem, porém, não impede que crianças sejam diagnosticadas como bipolares.

Autismo

Como era: O transtorno autista, síndrome de Asperger, transtorno desintegrativo da infância e transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação eram quatro categorias de diagnóstico separadas.

A mudança: O DSM-5 terá uma nova classificação chamada "transtorno do espectro autista", que vai abranger essas quatro condições. "O 'transtorno do espectro autista' reflete um consenso científico de que essas quatro doenças separadas são, na verdade, uma mesma condição com diferentes níveis de gravidade dos sintomas", disse a APA (Associação Americana de Psiquiatria) em comunicado. De acordo com a Associação, o "transtorno do espectro autista" se caracteriza por "déficits em comunicação e interação sociais" e "conduta, atividades e interesses restritivos repetitivos". O manual quer simplificar o diagnóstico de autismo, mas vai fornecer aos médicos exemplos de pacientes que se enquadram em cada um dos quatro tipos de condições integradas no transtorno do espectro autista. A comissão responsável pela nova revisão do DSM-5, porém, estima que essa mudança poderia excluir 10% dos casos de autismo já diagnosticados. No entanto, a APA garantiu que o manual vai reforçar que todas as pessoas já diagnosticadas com autismo ou síndrome de Asperger continuarão com o diagnostico após o DSM-5.

Déficit de atenção

Como era: O DSM-IV descreve 18 sintomas do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), sendo que eles estão divididos em dois núcleos: os relacionados à falta de atenção e os relacionados à hiperatividade/impulsividade. Para ser diagnosticada com a condição, uma criança precisava apresentar pelo menos seis sintomas de um dos núcleos — e o surgimento desses sintomas que causaram algum tipo de dificuldade deveria ter ocorrido antes dos sete anos de idade.

A mudança: O DSM-5 manterá os 18 sintomas relacionados ao TDAH, mas alterou a faixa-etária em que eles devem surgir dos sete para os 12 anos de idade — ou seja, estendeu os anos em que é possível surgir o transtorno. De acordo com a APA, essa decisão foi baseada em pesquisas que mostraram que não há diferenças clínicas (gravidade do problema e resposta ao tratamento, por exemplo) entre crianças diagnosticadas com TDAH antes dos sete ou dos 12 anos. Críticos da decisão, porém, temem que essa alteração vá aumentar de forma excessiva o número de adultos diagnosticados com TDAH.

Compulsão alimentar

Como era: O problema estava presente no apêndice do DSM-IV, o que quer dizer que ele não era considerado como um transtorno mental, mas que merecia futuras pesquisas para melhor compreensão.

A mudança: O DSM-5 vai considerar a compulsão alimentar como um transtorno psiquiátrico relacionado à alimentação, que já incluía, por exemplo, anorexia nervosa e bulimia. Para ser diagnosticada com o distúrbio, uma pessoa precisa apresentar episódios de alimentação compulsiva ao menos uma vez por semana e durante três meses ou mais.

TPM

Como era: A desordem disfórica pré-menstrual, a forma mais grave de tensão pré-menstrual, estava no apêndice do DSM-IV, onde foi classificada como um problema que merecia mais atenção (e não como um transtorno psiquiátrico). De acordo com o texto do apêndice, a condição ocorre quando ao menos cinco sintomas são apresentados pela mulher na maior parte do tempo durante a última fase do ciclo menstrual e na maioria dos ciclos do último ano. São sintomas como humor deprimido, ansiedade, tensão, irritabilidade e problemas de sono.

A mudança: No DSM-5, a desordem disfórica pré-menstrual será classificada como um transtorno mental.

Transtorno da escoriação da pele (skin-picking)

Como era: Não era considerada como uma doença psiquiátrica.

A mudança: A doença será uma das condições inclusas nos transtornos obsessivos-compulsivos e doenças relacionadas. A APA não divulgou detalhes sobre como será o diagnóstico desse problema. Mas sabe-se que ele ocorre quando uma pessoa cutuca a sua pele com frequência, resultando em sangramento, dor ou descamação da pele, como forma de aliviar uma situação de stress, tensão ou excitação. Em um comunicado, a APA afirmou que a doença será incluída no DSM-5 por haver "fortes evidências para a validação e a utilidade clínica desse diagnóstico."

 

Fonte: Veja Online

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